Subtraindo a si mesma. Cuidando das flores, das cores, dos argumentos... Desejava apenas algo leve que esclarecesse suas idéias, como um vôo meio quebrado, com as asas tortas. Sim, se eu fosse um anjo, teria uma asa só. Que afianço: não mereço duas asas. Pois assim eu teria apenas vôos suaves, tranqüilos... e eu já desconheço qualquer idéia de tranqüilidade...
É sair para estar preso
É ficar para estar só
Estou só, estou só estou............
Tem um mar no meio da casa. Peço socorro. Estou me afogando na bagunça que fiz; céus, estou transbordando, dispersando... abstraí...
Sim, duvidam dessa tua face protuberante, desse teu ar soberano ou sei lá o quê que é desafiador e de dar dó – o que te faz tão assustada assim, criança?
Conta pra mim que eu não tenho boca
Emudeci-me há tanto tempo
Tem uma longa data que já não sei o que é isso, menina
Então acredite, pode confiar-me... como os doces de todas as crianças que crêem nos pássaros só porque eles voam
Como nos metais, que tão sólidos, cedem...
Como na entrega do inseto que, sabe, será devorado.
Não tenho pés nem mãos, perdi o apetite; minhas idéias: já não as tenho mais em ordem... ouvi dizer: não regulo bem, sou dispersa demais para te entorpecer com doces palavras, não é para coisas –ou pessoas- como eu, estar tão perto assim do que quero ser.
Devia manter-se mais longe
ou
eu
te
devoro
menina tonta.
Cria vergonha, lava essa cara pálida e dá um jeito nesses olhos, que estão arregalados por demais esta manhã...
O dia vem chegando nessa má vontade que, perdoe, perdoe, mas é de ferrar a vida de qualquer um.
Ah, você está desajeitada... tem de ter ânimo para agüentar a arte, para concretizá-la: viver!...
E quê sabe você, criança? Atente ao café, que vem e sobe. Deixa eu pensar nas coisas em si e você,
Hmmm
Você fica com a confortável tarefa de ser.

Nenhum comentário:
Postar um comentário