
...Acorda, liga a TV, 'que mundo maluco é esse, hen?'.. Ocorrem tantos fatos desconcertantes, e estes, cedo ou tarde, acabam por ofuscar nossos sonhos, nossas vontades, nossa alegria em viver...
Temos, naturalmente, uma visão tão maravilhosa das coisas, mas isso vai se perdendo no caminho, enquanto passa o tempo, enquanto passa a vida...
Eu já fui assim, toda sonhos e cores. Quando a gente é criança, não percebe mesmo muito sobre esse mundo, até mesmo porque, nesta fase, o centro do universo é nosso próprio umbigo. Mas vejamos se alguma criança é capaz de fazer mal a alguém... Ora, embora sejamos, ouso dizer, 'egoístas' quando crianças, não somos capazes de maldades, pois ainda não fomos corrompidos pelas malícias do mundo, crueldades, 'facetas maldosas'da vida...
Dia após dia, a vida faz de nós pessoas mais duras, ensina-nos tanto, nada de interessante, nada de importante, é verdade, apenas essa sequencia de fatos entrelaçados, como num programa de computador... Uma vida inteira esquecida no varal, deixada na gaveta, uma vida que simplesmente deixamos de viver...
Ensinam-nos a não sonhar, essa é a vida oras, querem-nos ovelinhas, sempre mansas, sempre iguais, seguindo este caminho já trilhado, já percorrido, sempre, sempre, em círculos, seguindo toda essa manada de ovelhas-zumbis, todas as gerações de criaturas que passaram e passam por aqui, sem rumo, sem crenças, sem sonhos, sem ideais... nossas esperanças, oh, esperanças de que algum dia, possamos ser quem realmente somos...
Alguém me diga: são pedras, buracos, problemas, desgraças...por que não sonhar? Vamos,digam-me, que mal há em viver, digna e simplesmente, VIVER?!
Pois é exatamente isso que estou dizendo, sim, querem-nos como massas inertes, máquinas, mas olhe, eu é que não sou nada disso! Mas 'cá' eu falo sem mentiras, então confesso que, sim, eu havia, de fato, 'morrido'.
Eu já havia perdido, como todo mundo perde, as cores, fantasias, criancisses, esperanças... Descoloriram minh'alma, deixaram-me perdida, sem eira-nem-beira, num mundo completamente louco e me obrigaram a simplesmente neutralizar todos os meus sentidos para me adaptar a toda essa loucura que chamam de sociedade. Anjo caído, com as asas murchas e sujas, proibiram-me de voar, sentir, sonhar... Morri. Não sei bem como, nem quando, mas conseguiram vencer meus sentidos, fizeram-me tão pequena, assassinaram-me. Quantas vezes? Sinceramente, já perdi as contas... tantas foram as noites sem dormir, quebrando a cabeça com problemas sobre os quais ninguém comentava, pensando sozinha sobre estrelas e pessoas, tantas foram as vezes em que eu tentava voltar a mim, ser eu mesma, sem medo, mas meu erro foi acreditar que sim, eu era pequena... diante dos olhos do mundo inteiro e, principalmente, diante de meus próprios olhos, eu era pequena. Deixei-me (con)vencer...morrer...
Passei tempos horríveis, fingia sorrisos amarelos, solidão era tudo o que me restava, dias secos. Dias malditos!
Tempo, tempo... Acontece que a vida tem dessas coisas intrigantes, quais nós nunca sabemos explicar: conheci...encontrei, de repente,Luzes!
Anjos que vêm assim, aos trapos, (vestes-te de tudo o que há de pior, para enganar meus sentidos) mas são Luzes e sentimentos, e tudo o mais, fica pra depois. Digo o que encontrei: sonhos...
Foi como despertar num dia de Sol, mas algo bem melhor que isso, sim, foi livre e agradável...
... fui tomada por uma imensa vontade de viver, misto estranho de alegria e saudade, sinto-me viva!
[23/11/07]

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