sábado, 13 de setembro de 2008

(...) Surpreendo-me com tamanha teimosia! Teimosia, sim, dessa mão que insiste em escrever. E como escrevo por pura teimosia –ou sabe-se lá quê-, rabisco aqui minhas tortas palavras, como quem sangra, como quem chora, ri, ou lamenta com alguma ironia, alegria ou maldade qualquer; só assim é que sei escrever.
E por mais rabiscos que venham, sinto algo a me apertar. Lamento, sim, essa amargura que me consome. Sinto-me como a pluma que pesa sobre todos nós, humanos demais; humanos demais! (?)
Ah! Fadigamo-nos tão rapidamente; estamos exauridos pela vida que rompe, pelo tempo que corre e, certamente, perdemo-nos... Quê há com essa gente que parece já não querer viver?

(...) Sinto,
Sou um menino de olhos arregalados, com as mãos e o nariz encostados a uma grande vitrina fria, e uma tempestade flui lá fora; outra cá em mim. Mina sina é desejar sempre aquilo que não se pode tocar, ou que simplesmente não pode ser alcançado. Estou perdido. Absolutamente perdido e, para total surpresa, saibam-me: despreocupado! Não há o que me complete neste mundo, sou uma criatura sem par, e de nada me vale ser assim tão faminto da vida. No entanto, seria inútil estancar...
Sou por demais selvagem, louco e impulsivo para aceitar-me estancado.
O que sou é tão (in)descritível como (in)tocável. Pedras, pérolas, diamantes... nada há de mais concreto que minh’alma. Incansável, vôo entre os infernos; os céus eu crio; e as selvas são meus jardins. E quando calma, sou César, ainda que nada mais eu tenha de meu, senão essa sede sem fim.

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